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Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009
Classe docente

Exmo. Presidente do Conselho Pedagógico e Conselho Executivo

Exmos. Membros do Conselho Pedagógico

Exmas. e Exmos. Colegas

Exmos. Pais e Encarregados de Educação

Exmas. Exmos. demais Cidadãos

Como professor, como coordenador do Departamento de Artes Visuais e Informática, como membro, por inerência, do Conselho Pedagógico, como membro da Comissão indigitada no passado mês de Janeiro em Conselho Pedagógico para proceder à elaboração do documento representativo da Escola a apresentar à Assembleia Regional dos Açores sobre o Estatuto da Carreira Docente em reavaliação, como pai, e como cidadão de uma república que se afirma de democrática, incumbe-me a responsabilidade de não equivocar essa responsabilidade. Como muito bem escreveu Eduardo Prado Coelho, é olhando ao espelho que vou encontrar o mais decisório em todas as representações e acções, isto é, o próprio, o próprio que é cada um, e que neste caso sou eu

Circunstancialmente a classe docente está a ser visada pelos governos central e regional como pedra de toque para o desferir de novos e mais contundentes golpes, como estão, aliás, a acontecer, contra a soberania dos trabalhadores, contra a cidadania de quem trabalha, contra a economia de quem exerce uma actividade assalariada, contra não só as próprias condições de vida como contra a própria salvaguarda das forças de trabalho no país.

Os governos central e regional teimam em venalisar tudo, por tudo o que é sítio, para gáudio de quem fruiu do venal gozo, com as por demais notórias consequências que nem já a mais pró-governamental comunicação social consegue esconder ou equivocar.

Não espanta, pois, o desesperado cerrar o cerco à inteligência e ao saber. Nem pode espantar o não menos desesperado controlo duma cultura de propaganda à medida das necessidades de branqueamento dos caprichos e brutalidades do regime.

O braço de ferro no seio da unidade de opostos do que está em curso é muito flagrante no caso dos professores, dado o facto de, apesar de recebendo salário, terem os docentes tradicionalmente paridade, não com os assalariados, mas com os assalariadores.

A rápida assunção de uma pequena parte dos professores como patrões ou como capatazes dos outros todos reduzidos à sua efectiva condição de assalariados para todo o serviço, pretendida pela mais que servil e obstinada hierarquia, propicia conflitos de toda a sorte.

Inclusive, como está a acontecer com o paladino da avaliação docente e auto proposto Presidente da Comissão de Avaliação desta Escola, a dar o dito por não dito e o não dito por dito mal vê baralhar-se-lhe as relações de forças, apodando agora de diletantes e espúrios os que em toda esta luta mantiveram sempre o mesmo esclarecido e firme comportamento. Chegando ao ponto mesmo de denunciar publicamente o companheiro de lide política que, mesmo humilhando-se e humilhando os demais directamente envolvidos, lho perdoar como habituais desmandos!

Tais comportamentos não favorecem uma boa relação institucional.

Deixo assim à consideração de todos a necessidade de isolar tais actuantes por forma a não sermos traídos nem pela pulsanimibilidade de um nem pela não menos perigosa armadilha legislocrática do outro.

Em qualquer dos casos o perigo reside na manipulação da matéria significante. O último ao aliená-la do referente ou campo de referências. O primeiro, aleatorizando-a.

Isolá-los é, em primeiro lugar, tirar-lhes o retrato. Isto é, distingui-los como peculiaridades singulares das quais temos de nos cuidar. Em segundo lugar isolá-los é formalizar, num, a divulgada auto demissão. No outro, pelo menos da Presidência do Conselho Pedagógico, demitindo-o.

No primeiro caso a justificação é, obviamente, a aleatória consistência das opções.

No segundo caso é a alapada mancumunação com a insidiosa e despudoradamente venal administração.

 

 

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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009
Critério é o que serve para julgar

Parâmetro para quantificar.

Há tantos anos, quantos os da imposição administrativa que recuso considerar as “atitudes, valores e comportamentos” como “critérios de avaliação”, e tenho-o explicado sempre aos meus colegas nas reuniões de Grupo, Departamento e nos Conselhos de Turma.

Nunca fui mais longe do que isso porque também nunca mo impuseram, por um lado, e, por outro, porque a hierarquia tem-se revelado duma confrangedora e constrangedora indiferença, se não mesmo boçalidade, face às questões da educação, pelo que de pouco serviria solicitar superiormente sindicância na matéria (mais do que uma vez, aliás, afirmei publicamente que Álamo de Menezes não era Secretário Regional da Educação e Ciência, mas sim da Administração e Construção Escolares).

Desta vez é do Conselho Executivo que me vem directamente indicação de preencher uma folha onde tal enunciado me é ostensivamente imposto.

Não é obrigatório no Conselho Executivo haver quem tenha especializada preparação filosófica. Agora que seja presidido por um professor de Matemática e lhe passe sem reparo o que me querem obrigar a fazer, o caso é grave, porquanto se junta a arbitrariedade ao logro que o enunciado contém.

Usar como critérios o que são parâmetros e ignorar a diversidade e até antagonismo de critérios – não explicitados - para os determinar é, no mínimo, leviandade.

“Atitudes. Valores. Comportamentos”, “Actividades / Trabalhos na sala de aula” e “Testes / Outros trabalhos”, como os colegas sabem por experiência de muitos anos (acríticos) de preenchimento, são constantes às quais dão diferentes valores, conforme os alunos, sem que, no entanto, tal afecte as propriedades formais da expressão.

E isso o colega Boanerges Melo tem a estrita obrigação profissional, como licenciado na especialidade, de saber muito bem que é um parâmetro!

Sei que há quem, ao invés de procurar reflectir, congemine estratégias punitivas, mas será que o que está a acontecer com a questão da avaliação docente e estatuto da carreira não dá para perceber o rasteiro tarefismo governamental, a monstruosa fraude arquitectada pela administração e a duvidosa honorabilidade de quem se presta a tais ignomínias?

Peço, pois, que considerem o que aqui sucintamente se expõe e reconsiderem a qualificação da folha distribuída a professores e alunos, que só desmerece os professores e a própria Escola Secundária Antero de Quental.

 

Publicado Por prospectarperspectivar às 23:31
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Domingo, 7 de Dezembro de 2008
Escola Secundária Antero de Quental, 2/5 de Dezembro de 2008

Exmo. Sr. Presidente do Conselho Executivo

Exmas. e Exmos. Colegas

Exmas. e Exmos. Concidadãs e Concidadãos

Para quem não veio e possa vir, venha. Para quem não veio mas não possa vir, saiba.
Excelente o trabalho da Dra. Margarida Palhinha, que, tão singular quanto esclarecidamente soube preparar com a Dra. Gertrudes Albergaria a INAUGURAÇÃO DAS SALAS COM AS PINTURAS MURAIS RESTAURADAS E A EXPOSIÇÃO DE BRINQUEDOS EM PARCERIA COM O MUSEU CARLOS MACHADO.

Excelente o trabalho do Dr. José Cruz, que, apesar dos percalços informáticos, concretizou com empenhado profissionalismo o que lhe foi solicitado.

Excelente o trabalho dos alunos envolvidos no processo.

Menos bom o do Museu, não pela disponibilidade em fazer expor peças da sua colecção no espaço da Escola, mas pelos inadmissíveis erros de datação de inúmeras peças expostas.

Se o icónico discurso do Dr. José Cruz teve a exemplaridade do seu cuidado e raro desvelo, aquilo que a Dra. Margarida Palhinha disse na entrevista à RTP-Açores não foi menos singelo e relevante. Muito interessantes os textos de ambos na informação distribuída a quem visitar a exposição.

O excelente Dr. Boanerges Melo, Presidente do Conselho Executivo, sem a desmerecer, equivoca a excelência que o excelente trabalho que organizou merece.
Tudo por causa da equívoca organização e da não menos equívoca representação que advoga e de que o seu texto é expressão também.

As medidas organizativas que abraça, tanto internamente à escola, como à externa civilidade que concebe, são capciosas, pois promovem na prática o oposto daquilo que vulgarmente as justificam.

Como tal disparate se explica?

Explica-se pela equívoca indiferenciação do discurso económico e da economia dos sujeitos que discorrem.

 A expressão monetária, de particular relevância em tal processo, tem uma natureza convencional, como todo e qualquer discurso, é evidente.

 Mas substancialmente difere dos demais discursos no que lha confere, isto é, as condições de vida e a disponibilidade da força de trabalho, com a rarefacção das quais se deprecia.

 
E é aqui que a sua atitude revela preocupantes indicadores, com repercussões internas na escola e a prazo não menos graves repercussões externas na comunidade que constituímos. Internamente isso tem já reflexos, com a exacerbação da exclusão e o favorecimento do individualismo que o comprometimento com a administração pública escolar e a presidência do governo regional abre portas no venal paradigma, que, em qualquer dos casos, impera.

É que o Dr. Boanerges Melo parece-me que não quer ainda assumir quanto a política de destruição das condições de vida e de destruição da força de trabalho, venha esta mascarada de escolaridade obrigatória, de cursos de formação profissional, de subsídio de desemprego ou de rendimento mínimo garantido, e aquela de “progresso e desenvolvimento económico”, é uma verdadeira bofetada na cara de quem trabalha cada vez mais em troca de um salário cada vez com menos valor, uma humilhante provocação para quem trabalha cada vez mais num processo sequenciado de destruição do que lhe custou tanto esforço para ostensivo gáudio de cada vez mais insaciáveis rapaces.

Não deixa de ser curioso observar que praticamente todos os paladinos e pares próximos promotores deste falacioso figurino curricular e da não menos fraudulenta organização escolar foram abandonando o ensino com cargos e reformas doiradas ou viram centralizar-se-lhes proeminentes funções internas não lectivas! Será o que almeja o bom colega Boanerges Melo? Creio que não!

Parabéns, pois, ao Dr. Boanerges Melo, em primeiro lugar, em segundo lugar aos que trabalharam para as exposições, e, enfim, também a nós outros todos pelas pinturas murais restauradas e oportuna parceria com o Museu Carlos Machado.

O meu desgosto pela marginalização e interna exclusão organizativa dos órgãos e pessoas da escola, tidos e achados, cada vez mais só, mais uma vez se comprova, para a mecânica operacionalização das decisões tão mais prepotentes quanto mais supinamente boçais das hierarquias administrativas regionais e nacionais.

 
Obrigado,

 

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Terça-feira, 18 de Novembro de 2008
Exmo. Sr. Presidente do Sindicato dos Professores da Região Açores

(Com conhecimento a professores associados e não associados)

 

Foi com profundo espanto e a maior indignação que li uma transcrição do "Diário Insular" de 14 Novembro de 2008, em que se citam como afirmações suas "é prematuro tomar qualquer posição sobre um processo que ainda está no início e que não terá efeitos este ano na carreira dos professores açorianos" e "Vamos aguardar para ver como o processo vai decorrer para depois tomar uma posição"!

 

Será que tem consciência do que significa o que vem acima exposto, quer quanto à lógica interna do discurso, quer quanto à irresponsabilidade que o mesmo contém?

 

Então este processo que "ainda está no início" não tem já repercussões na carreira dos docentes? Vossa Excia. é cego e surdo ao que se passa  em todas as escolas dos Açores, provavelmente sem qualquer excepção, em consequência directamente da fraude e da violência perpetradas pela SREC/ME?

 

Acha que não há professores com assaz dignidade científica com assaz ética e deontologia profissionais, para não verem em sério risco, não só a carreira, não só a vida profissional, mas também a esperança de cidadania e respeito por si e pelos outros?

 

Então Vossa Excia., Presidente de um Sindicato de Professores, tem tanta dificuldade assim de leitura e de interpretação que tem de ver para crer nas consequências da instauração da aberrante, intimidatória e fraudulenta "avaliação docente" que ostensiva e

despudoradamente teimam a administração regional e nacional em fazer aplicar?

 

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Domingo, 2 de Novembro de 2008
É PARVO OU QUER SE FAZER PASSAR POR PARVO?

 "Governo não percebe razões de protesto

11h37m

O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, garantiu sexta-feira que o Ministério está a cumprir o memorando que assinou com os sindicatos e que não vê razões para os professores se manifestarem.

"Estamos a seguir religiosamente o memorando de entendimento que assinamos com todos os sindicatos", afirmou Valter Lemos à Lusa, acrescentando que pode acontecer que "alguns sindicatos tenham mudado de opinião".

O secretário de Estado da Educação falava em Baião, onde presidiu à inauguração de um centro escolar com 12 salas que tem a particularidade de incluir uma unidade especializada para alunos autistas, com capacidade para oito crianças. Valter Lemos explicou que o acordo com os sindicatos, assinado em Abril, previa um regime simplificado para os professores contratados que foi cumprido.

No âmbito desse acordo e relativamente ao presente ano lectivo ficou decidido "que a avaliação deste modelo seria feita apenas no final do ano lectivo e que eu saiba estamos no início do ano e não no fim". O secretário de Estado insistiu "que a avaliação é um direito do professor", que sabe que a lei determina "que quem não for avaliado não poderá progredir na carreira"." (Informações SAPO Internet)

Olhem o ingénuo! A querer salvar-se das abencerragens que tem vindo a congeminar e tentar impor, o energúmeno abraça-se agora à tábua de salvação dos "sindicatos" que de longa data tem usado contra o país e contra os professores. Valter Lemos não é ingénuo nem muito menos deve merecer qualquer compaixão política.

É um pilha galinhas ao serviço de quem lhe paga muito bem o trabalho de sapa contra a escola pública, é certo, mas não só, pois também é contra o respeito pela pessoa de cada um no sistema de ensino em Portugal que ele actua. A escola, para Lemos, é mais uma central de provetas à maneira do "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley, e onde o autor,
em 1931, ironicamente retratou os Valter Lemos do futuro!

É denunciar o bandido! É correr com ele de todos os interstícios onde ele se pretenda multiplicadamente esquivar!

                                                                                                                                                         



 

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Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008
A propósito da supina avaliação docente

Escrevia o outro dia ao nosso colega, sem me sair do olhar, em pleno bosque, no Conselho Perdagógico, o Sambuco (nome fictício) de entre os vários personagens do “Sonho de Uma Noite de Verão” de Shakespeare. Se era com Nick Bottom de focinho de burro que a rainha das fadas, Titany, se embeiçava de amores, não estava Sambuco embeiçado por figura menos caricata e menos virtual:

Sambuco
(A propósito da supina avaliação docente)

Amante assim tão forte
Sambuco?
Amante assim tão cego
Em diurna celebração?
Que mago, que flor,
Que floresta,
Te embrenha em tão estrénua ternura
Por corpo tão desconforme,
Por objecto tão indiscreto,
Por tão impúdico serviço,
Da legal mancomunação?
Sem fim,
Sambuco,
A tua noite de verão?

 

Pedro
16 Out 08

Não já no bosque, mas no meu carro eléctrico, a caminho da escola, ouvi o outro dia um excerto da ópera cujo teor de fina crítica ao regime do fuhrer, não caindo bem aos SS de serviço, deu livre-trânsito aos dois notáveis músicos da tolerada prisão de artistas directamente para o eficaz campo de extermínio.


Não sou notável, muito menos músico.


No entanto aos olhos dos meus colegas poderei estar a exorbitar na licença de vida que me dão os guardas do regime.


Reparem bem no figurino de escola que se tem vindo a desenhar e no carácter, ou falta de carácter, como queiram assumir, da lei de avaliação docente, e digam-me se ao abrir-lhe a boca lhe não vêem dentes iguais em iniquidade, em cinismo, em despudor, em desrespeito, aos dos de muitos comandantes de castelo e de chefes de quina da insidiosamente chamada “Mocidade Portuguesa”? (Falo para os que têm idade para se lembrarem disto e para aqueles que, sendo mais novos, não têm da história só a memória da sebenta que, devidamente decorada, ou passada no pente fino da cábula, lhes abriu as portas do desejado bom desempenho).

É forte demais tal comparação? Ou é forte demais o que se desenha - e o medo, o atentismo, o dolo, a cobardia rasteira, o fazer de conta, batem à porta?


É bom que não haja dúvidas quanto ao carácter político desta avaliação dos docentes. É requintadamente nazi.

Como naqueles breves treze anos de eternidade de terror para quem neles viveu, os nazis, “democraticamente” alcandorados ao poder, tinham nos outros, na massa da população docente, discente, operária, camponesa, etc., os instrumentos de acção e de coacção que eles por si sós nunca teriam possibilidade de garantir e de impor.


Se politicamente esse é o coração de aço da avaliação docente da ministra em exercício e desiderato decisivo do libreto da opereta na qual afina Sócrates a voz que o mantém em cena, esta avaliação docente, tecnicamente, é uma verdadeira fraude.


Tecnicamente é tão fraudulenta, que são os próprios promotores dela os primeiros a tentar adoçar o amargo de boca que a sua operacionalização já está a causar.
Argumentam já alguns, a defender a sua dama, que a coisa pode não ser exactamente com o rigorismo da lei. Que uma aula não tem necessariamente de ser entendida em bloco, e que bem podem bastar 45 minutos de observação: há é que cumprir a observação, há é que cumprir o processo administrativo, com entrevista e tudo - e está feito!


Não contem comigo para isto.

 
Prefiro lutar, tal como preferi há dois anos arrostar a prisão do que demitir-me do direito de exercer, forte, é certo, mas alicerçada, a minha crítica à acção governativa. Tive na altura a boa sorte de deparar com uma Juíza de carácter e de coragem, advogados de excelência, e generosos cidadãos a depor, não propriamente a meu favor, mas a favor do direito de opinião e de lídima luta.

 
Prefiro lutar, tal como preferi há cinco anos arrostar o iníquo processo disciplinar na Escola Canto da Maia. Tive na altura defesa pelo advogado do Sindicato que me tem aceite como sócio mas me abandona no fim da acção, depoimentos de colegas, e o perjuro do Presidente do Executivo que me levantou o processo.

 
Por que é que afirmo que é politicamente nazi o processo de avaliação em curso?


 É porque se alicerça, tal como aconteceu nos anos trinta e quarenta na Alemanha - com simpatizadas releituras em praticamente todos os países europeus e até nos EUA - num castelo de teoria edificado com o cimento do preconceito e a armadura do estereótipo elevados a campo duma realidade quotidiana tão mais virtual nas impostas representações quanto mais subjugadamente, ferozmente, cruamente, duramente, redutoramente vivida. É o paraíso da propaganda e a ocultação do inferno.

 
E por que é que afirmo que é tecnicamente uma fraude?


Dou a este respeito uma simples referência para os que dizem que gostam de falar uma mesma linguagem de profissionalismo e eficiência: HACCP (Hazard Analysis and Critical Control Point).

 
Por qualquer ponta por onde queiram pegar no processo de avaliação, que o governo de Sócrates tem como indispensável e decisivo para o cumprimento do seu exaltante desempenho governativo, constatarão que.

 

1) a análise de risco incide na classe docente,

2) identificam os professores como pontos críticos a controlar,

3) os limites críticos para cada ponto crítico e a

4) monitorização requerida para cada ponto crítico, são estabelecidos para a pessoa de cada docente,

5) as acções correctivas são estabelecidas para a pessoa de cada professor,

6) o arquivo de registos estabelece-se com a fichagem docente a docente e

7) os procedimentos estabelecidos para garantir que o HACCP está funcionando como deve ser passa pelo envolvimento dos próprios professores no processo.


Como se evidencia, esta avaliação docente prima logo à partida pela unilateralidade da evidência, pela descontextualização da acção, pela arbitrariedade da conclusão, pela promoção do abuso, pela exaltação do absurdo.

 
Não conduz a melhoria qualquer do ensino, visto que não é esse o objecto em avaliação (longe disso!

 

Que o HACCP tem de ficar bem longe de tão inoportuna fantasia!).


Destrói, sim, desorganiza, sim, perturba, sim, o processo de ensino/aprendizagem e a própria avaliação do ensino/aprendizagem. Como já está a acontecer há muito, aliás, pois este figurino curricular, que já se passou a ferro e ora se impõe ao corpo incomodado da nação, foi começado a executar na segunda metade de oitenta do século passado pelo 1º Ministro Cavaco com o Ministro Carneiro na pasta da Educação, logo após a mordomia do Dr. Mário Soares ter dado entrada da CEE em Portugal.

 
Mas não são tão ilustres antecessores razão para deixar de perguntar se o Sr. 1º Ministro José Sócrates mais a sua colega Sra. Ministra Maria de Lurdes Rodrigues se não terão equivocado nas funções, dado que, apesar de tudo, a avaliação docente mais parece saída da António Maria Cardoso do que de S.Bento.

 

Publicado Por prospectarperspectivar às 01:49
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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008
Ao Director da RTP

 

Exmo. Senhor
Director da RTP
Já agradeci ao jornalista Tiago Contreiras a deferência em responder à minha carta endereçada ao “Prós e Contras” a propósito da exclusão do Dr. Arnaldo Matos no programa de segunda-feira.
Da explicação dada decorre uma opção que naturalmente já não será do alvedrio do referido jornalista porquanto terá mais a ver com decisões de outro nível na hierarquia interna da RTP.
Fico perplexo, devo dizer-lhe, com a importância dada ao jogo de futebol!
Então os senhores subalternizam figuras centrais da finança, da indústria, da economia, do pensamento, subalternizam a importância da elucidação dos portugueses, tudo por causa de um jogo de futebol?
O que é isto, senhor?
Que critério dirige superiormente a televisão pública portuguesa?
Que representação internamente têm do povo português?
 
Que representação internamente têm do que se passa na cena mundial?
Que representação internamente têm de vós próprios?
Fica lavrada a minha indignação e a minha perplexidade.
Envio também cópia desta carta ao acima referido jornalista do “Prós e Contras”.
Grato pela atenção,



ps. Poderão fazer chegar esta carta ao Exmo. Sr. Director, pois não consigo encontrar e-mail respectivo? (De qualquer modo tentarei amanhã saber e-mail e enviar). Obrigado

Publicado Por prospectarperspectivar às 13:20
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Domingo, 21 de Setembro de 2008
Açores, 15/19 de Setembro de 2008

Ex.mo Senhor

Carlos César

Presidente do Governo Regional dos Açores

Junto com outra correspondência de correio, recebi o “Kit Autonómico”, encomenda do Governo a que preside.

Ouvi as duas versões do hino. Li o texto da poetisa Natália Correia. Vi a bandeira e o livrinho das insígnias. Li a sua carta.

Obrigado.
Profissional a realização como profissional o lôgro.

Parabéns pelo profissionalismo.

A quem se sustém sustendo-vos, e sustendo-vos e sustendo-se mais sonega, também os meus parabéns. Em boa hora a troca com quem o precedeu na Presidência.

A embalagem e a palavra de ordem são tão subliminarmente significativas como ostensivamente significativas as palavras que nos dirige.

Realmente, como “elementos referenciadores da nossa vida colectiva enquanto Região”, mal estamos com esses símbolos, cada vez mais vazados de sentido, aliás, tal a subversão, numa competição entre quem mais pode, da natureza, da cultura, das pessoas, com que em troca da monopolização de recursos e da reclassificação da mercadoria humana nos lançam à cara, impantes, o progresso e desenvolvimento obrados. As regras (nomos) que imperam nas casas (oikos) da economia - “oikos nomos” - burguesa explica a resposta a necessidades públicas e a tomada de decisões políticas sempre que e só quando tal garanta a maximização do lucro de pessoas e grupos suficientemente capacitados e agressivos para o reivindicar e impor.

É bom que assim seja. Para quem da palavra descrê nada mais elucidativo do que aquilo que a prática evidencia.
Autonomia? Sim. À luz de quem mais se apropria, mais anula, mais impõe, mais domina, mais humilha. À luz da concorrência e da agressividade. À luz de quem tem de ter tudo ganho em detrimento do ganho daqueles para os quais o ganho se destina. À luz, inclusive, de quem tem tudo previamente ganho em detrimento do ganho daqueles que formalmente, nesta “democracia”, o ganho licenciam!

Para tal, efectivamente, nada melhor do que “em paz sujeitos”.

A humilhação institucional e o isolamento organizativo dos que tal inconcebem e dos que o recusam são significativos da crise instalada.

Crise, é cada vez mais evidente, que só os que trabalham podem vencer. Crise tanto mais aguda quanto sobre quem trabalha mais se exerce a ocultação, a prepotência, o saque, a violência, o ludíbrio, a exclusão.

Vivemos uma crise de regime.

O estertor duma ordem social, dum modo de produção e de distribuição sem ponta por onde se lhe pegue que não viole, que se não contradiga, que se não faça passar pelo que não é, e negue logo a seguir tal assunção!

Uma farsa a sério!

Com cacete e garrote a matar!

 

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Sejamos dignos da luta dos trabalhadores da SATA!

Quero pessoalmente manifestar o meu mais inequívoco e firme apoio aos trabalhadores da SATA pela exemplar luta que travam.
 
Uma luta, em primeiro lugar, contra a desvirtuação da condição de trabalhador - o “pessoal”, na grosseira qualificação com que Carlos César, em plena Assembleia Regional, não há assim tanto tempo atrás, apelidou os açorianos que trabalham.

Uma luta contra a destruição dos órgãos próprios dos trabalhadores, órgãos aliás legitimados pela Constituição Portuguesa. Constituição que os próceres que nos governam só naquilo que lhes convém sabem evocar.
 
Os trabalhadores da SATA, é importante não esquecer, contra toda a sorte de maquinações, ludíbrios, ocultações, intimidações, e tendo de recorrer a todas as instâncias da Justiça, conseguiram manter operativa a sua Comissão de Trabalhadores e fazer-se legitimamente representar na Administração da empresa. Este feito, calado ou secundarizado por quase toda a nação, devia estar na primeira página das atenções de quem do trabalho dos outros não faz negócio, de quem recusa não só o brutal mas também o sofisticado negócio da escravatura assalariada, de quem no trabalho profissional vê uma prestação útil e não pasto para a ganância e a fantasia de magnates e pimpões.
 
Uma luta, também, contra o desmantelamento duma empresa regional. Desmantelamento calendarizada e cuidadosamente caboucado por um governo que se reclama de Regional e de Autonómico!

Enquanto açoriano fica aqui o meu testemunho que espero seja publicado na imprensa regional.
 
Quero ainda acrescentar o mais vivo repúdio pela tentativa de, na televisão regional, nas notícias de hoje da manhã, se procurar acefalizar os trabalhadores da SATA e desprestigiar o carácter e a inteireza da sua luta, classificando a greve de “política” com conotação expressa à “CDU” a que, segundo o jornalista, alguns trabalhadores pertenceriam. Na concepção do apresentador de serviço então o que for conotado como do “PS”, por exemplo, já não é “político”? Não é “político” o surf no que é dos outros com que se excita e exercita o “PS” em todas as frentes e em todos os campos para gáudio de uns tantos espertos, aplauso dos basbaques da corte, e humilhação e saque a nós outros quase todos? Não são “políticas” as decisões que o governo ou o parlamento assumem? Haja pudor!
 
Como trabalhador, como profissional, quero ainda fazer votos para que os meus colegas professores olhem para a dignidade destes outros trabalhadores e reconsiderem a estratégia de cobarde venalidade a que têm dado cobertura e força. Vou, aliás, enviar cópia do que aqui exponho ao Conselho Executivo da Escola Secundária Antero de Quental, onde exerço a docência, e ao Sindicato dos Professores em que estou inscrito, com o pedido de público apoio à luta dos trabalhadores da SATA assumido pela singularidade e firmeza que bem devem servir de exemplo também aos professores e às suas organizações e representações.
 
Não deixemos ficar isolado quem trabalha e luta com expressas razões de Estado e determinado pundonor.
 
Só os trabalhadores podem vencer a crise agudamente agravada por aqueles que nos trabalhadores só vêem carne para canhão e pessoal para os servir!
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Sábado, 3 de Novembro de 2007
Simplicidade

Simples? Simples
é olhar!
Porque
interpretar, interagir,
operar, criar,
enunciar, comunicar,
obriga o sujeito
a reordenar em si
o que é do outro,
do objecto, do fenómeno.
Simples? Simples
é só depois de compreender
a simplicidade
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